Foto Sementes

O desenvolvimento de variedades de sementes ocorreu muito antes dos primeiros estudos genéticos e surgiu como fruto da capacidade de observação da natureza, aliada a necessidade de produção de vegetais mais produtivos e palatáveis, levando o homem a selecionar as chamadas “variedades”, num processo contínuo e criterioso que remonta a existência dos primeiros grupos sociais de que se tem registro.

Uma grande quantidade de espécies que usamos na nossa alimentação é nativa das Américas e foram deixadas pelos indígenas (Astecas, Maias, Incas e outros) como por exemplo: milho, batata, mandioca, feijão, algodão tomate, pimenta, amendoim, cacau, abóbora e etc. Outras foram trazidas de outros continentes, como o trigo e o arroz, mas já por centenas de anos são conservadas e melhoradas pelas famílias agricultoras. Essas sementes são chamadas de sementes crioulas.

A disponibilidade e continuidade dessas sementes é virtude e missão da agricultura familiar/camponesa e são fundamentais para a garantia da segurança e soberania alimentar dos povos. As sementes crioulas são adaptadas aos ambientes locais, portanto mais resistentes, e menos dependentes de insumos. São também a garantia da diversidade alimentar e contribuem com a biodiversidade dentro dos sistemas de produção. A biodiversidade é a base para a sustentabilidade dos ecossistemas (sistemas naturais) e também dos agroecossistemas (sistemas cultivados).

Com a chegada da Revolução Verde, este patrimônio genético tem perdido espaço para os monopólios do setor de sementes e agroquímicos e por consequência perdemos em biodiversidade através do processo tecnológico no qual estão substituindo as sementes crioulas por sementes híbridas (sementes produzidas a partir do cruzamento de variedades puras com o objetivo de obtenção de variedades mais produtivas, mas que necessitam de agroquímicos como: fertilizantes, herbicidas, inseticidas e outros, para manifestação de seu potencial genético, o chamado “vigor híbrido”), diminuindo, desta forma, a variabilidade genética dos cultivos, encarecendo a produção agrícola e comprometendo a soberania e a segurança alimentar dos povos.

É de suma importância o resgate das sementes crioulas, pois permite o desenvolvimento de um modelo de agricultura que possibilita a sua sustentabilidade. As sementes não podem ser privatizadas ou tornar-se objeto de dominação dos povos por parte de corporações empresariais.

O futuro pertence àqueles que conservam e multiplicam as sementes crioulas.


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